Neste ano de 2026, vamos lidar com um dos grandes desafios da Democracia Brasileira – o Patrimonialismo. As eleições o reforçam:
O que cabe no guarda-chuva do patrimonialismo? A apropriação privada do que é público; o predomínio das relações pessoais, de favor e de arbítrio, sobre a impessoalidade das leis; o peso do compadrio, do parentesco e da lealdade política na definição das estruturas de poder; o alheamento da burocracia em relação aos problemas concretos da população; as privatizações indiretas e as invasões diretas praticadas pelas elites financeiras, de poder e do Mercado, tomando de assalto os recursos materiais e simbólicos de povos e nações inteiras.
A falta de caráter presente no patrimonialismo da política brasileira ganhou força no governo Bolsonaro e deixou fortes sequelas na caixa-preta das emendas Pix, com a eclosão da extrema direita como opção efetiva de poder. Um fenômeno de escala mundial. Na nossa versão brasileira, a extrema direita ora disputa a hegemonia do campo conservador e reacionário com a direita convencional, ora atua ao lado dela para impor derrotas ao campo progressista e ameaçar a ordem democrática.
Será assim em 2026, muito provavelmente. Não se sabe quem estará a serviço de quem, mas a direita fisiológica e os neofascistas tendem a marchar unidos contra Lula num hipotético segundo turno, não importa quem seja o/a candidato/a. Além disso, precisamos renovar a Câmara e o Senado. Na corrupção moral infiltrada no STF, tentando se germinar como suspeita de atuação da própria Corte. Evitar a Dosimetria. Ficar de olho nas Forças Armadas. E não perder o foco nas investidas de Donald Trump na América Latina. O que vale dizer evitar o caminho de volta ao pântano. Evitar a promiscuidade, as impropriedades, as atitudes suspeitas, vale dizer, a erosão ou esculhambação da República como um romance sem heróis!
Enfim, o Patrimonialismo é um dos
grandes inimigos da Democracia, presente na labuta do nosso dia a dia, ascende
como desejo de um grande Império. Império contra o qual teremos de lutar para
defender o que é nosso por Direito, não apenas recursos naturais, mas inclusive e sobretudo, a soberania e a própria Democracia.
