Abadás x Pipocas.
684 trios elétricos, totalizando quase 1.600 horas de apresentações, com um público de 12 milhões de visitantes, passaram pelo Carnaval 2026 de Salvador, formado por três circuitos principais: Circuito Barra-Ondina (Dodô): mais turístico e elitizado; Circuito Campo Grande: mais tradicional e popular; Circuito Pelourinho: com mais manifestações culturais e blocos afros.
Com tanta gente e dinheiro circulando, o maior desafio é o de evitar que uma das maiores festas populares seja elitizada. A elitização do carnaval começa pelos abadás personalizados, idealizados por empresários que estão por trás dos principais blocos que capturam foliões endinheirados, oferecendo espaços pagos e serviços privilegiados, separados por cordas e mais próximos do trio.
“Alguns empresários se consideram os donos da fila e alugam as vagas a quem tem mais dinheiro” (Armandinho Macêdo).
Na resistência, seguem as Pipocas, os foliões que acompanham o cortejo de fora do espaço delimitado. Uma das artistas que arrasta esses foliões é Daniela Mercury.
“Temos uma história linda, muito clara, toda noticiada, documentada. A única que ficou de lá até aqui desfilando, 30 anos, apesar de tudo, fui eu. Então, por que a turma está antes de mim?” (Daniela Mercury).
Relacionando experiências individuais a contextos sociais, alcançamos uma visão mais ampla. Divertir-se no Carnaval é mais do que ir a uma simples festa. Essa diversão, aparentemente individual, conecta-se com tradições históricas, hierarquias sociais, expressões de resistência política e toda uma economia do entretenimento.
Enfim, o carnaval é um fenômeno social complexo. A festa popular que nasceu para unir, não pode segregar. A elite não se contenta em acumular riquezas, também se mete na alegria do povo. Não pode!
Aí
vai um pouco de imaginação sociológica sobre o Carnaval...







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