Quem sou eu

Minha foto
São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
Obrigado pela visita!
Deixe seus comentários, e volte sempre!

"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

Arquivos do blog

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Caos urbano em festa.

 

As cidades são um retrato aflitivo da sociedade contemporânea. Lá fora, na paisagem urbana, se mesclam a tensão do trânsito, a agressão ao meio ambiente, a falta de saneamento básico, a dificuldade de mobilidade, o lixo das ruas e a poluição de todos os tipos, o despejo, o desplanejamento, a violência multifacetada, a labuta pelo ganha-pão, entre outras ausências de políticas públicas. Mas, o inferno urbano é estruturalmente interno.

Nenhum de todos esses problemas supera o da solidão. Sim, esse sentimento de não pertencimento a um grupo que cria bolhas e alimenta as buscas ensandecidas e desenfreadas por seguidores e curtidas nas redes sociais. O contraste é forte! Enquanto frequentamos as redes sociais de um modo assíduo, todos ficamos bem mais distantes das pessoas reais. E quando vivemos alguma coisa parece que é só para alimentar os stories. E a solidão gerada pelo medo produz o ódio. Odiar todas essas pessoas à distância é muito mais fácil do que as procurar entender de fato. O universo inteiro vai acontecendo na sua mente e o real se transforma em um incômodo que deve ser transposto?

De fato, nesses últimos 50 anos as pessoas se tornaram mais distantes umas das outras do que eram. Os encontros físicos são mais raros e, quando acontecem, são mediados pelos pré-julgamentos das redes sociais e se esvaem logo. As associações profissionais, como sindicatos, ou de afinidade, como partidos políticos e clubes sociais, ficaram frágeis. Não nos suportamos mais e isso é péssimo para as instituições que precisam lidar com gente.

Enfim, não nos surpreendamos com o tamanho do carnaval de 2026, essa festa do escape. Ali, no ôba ôba, você encontra suspensos traumas, derrotas morais, desilusões amorosas, dificuldades financeiras, fanatismos suspensos, radicalismos à mostra, solidão disfarçada, preocupações guardadas, inúmeras rejeições, gente dançando para superar um pecado original (mas que no final só o reforça), a falta de propósito, a agenda de obrigações suspensas, feridas mal cicatrizadas de todos os tipos e todos aqueles que foram cancelados nas redes sociais.

A carência do encontro presencial e a falta de uma razão significativa para ele irão superlotar as avenidas. Foliões vivos e aflitivos – como o nosso tempo. É o caos em festa!

Nenhum comentário:

Postar um comentário