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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A força do Behaviorismo.

Psicologia antiga: Watson, Pavlov e Skinner.

O termo behavior” significa “comportamento”, isto é, qualquer resposta ou atividade observável realizada por um ser vivo.

Escola de pensamento fundada no início do século XX por John B. Watson (1878-1958), o behaviorismo é uma orientação teórica baseada na premissa de que a psicologia científica deveria estudar apenas o comportamento observável.

Foi assim que Watson tornou a Psicologia uma ciência do comportamento. Os psicólogos podem estudar qualquer coisa que as pessoas fazem ou dizem (como fazer compras, jogar xadrez, comer, cumprimentar um amigo), mas não podem estudar cientificamente os pensamentos, desejos e sentimentos que acompanham esses comportamentos. Watson propunha que os psicólogos abandonassem totalmente o estudo da consciência e focassem exclusivamente os comportamentos diretamente observáveis (o que a psicologia científica deveria estudar).

Também o fisiologista russo Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) provou a ideia de “condicionamento clássico”. Demonstrou como comportamentos e reflexos aprendidos podem ser gerados pela associação entre um estímulo neutro (ex: som) e um estímulo incondicionado (ex: comida). Animais e humanos podem ser condicionados a responder a estímulos anteriormente irrelevantes, influenciados por hábitos e reações automáticas. Ele mostrou que estímulos neutros, se pareados repetidamente com um estímulo natural (comida), passam a eliciar a mesma resposta automática (salivação), chamada de resposta condicionada. O sistema nervoso associa eventos externos com respostas fisiológicas. Seu famoso experimento foi o de treinar cães para salivar ao som de uma sineta, que era tocada toda vez antes de receberem alimento.

“Nossa evidência é de que não temos nenhuma evidência real sobre a herança de traços. Eu me sentiria perfeitamente confiante quanto ao resultado final favorável da criação cuidadosa de um bebê saudável e bem formado, descendente de uma longa linhagem de trapaceiros, assassinos, ladrões e prostitutas” (Watson).

Nessa direção seguiu um psicólogo de Harvard, o B. F. Skinner (1904-1990). Skinner não negava a existência de eventos mentais internos (tão caros aos psicanalistas), mas insistia que eles não podiam ser estudados cientificamente (seriam especulação vaga ou opinião pessoal ainda que por conhecimento exato e confiável). Daí surgiu o princípio simples e poderoso de Skinner: os organismos tendem a repetir as respostas que levam a um resultado positivo e a não repetir as que levam a um resultado neutro ou negativo. Assim, podemos exercer extraordinário controle sobre o comportamento de animais por meio da manipulação do resultado à suas respostas (até mesmo treinar animais para apresentar comportamento não natural). Para Skinner, todo comportamento é governado por estímulos externos, isto é, somos todos governados pelo meio em que vivemos, e não por nós mesmos quando acreditamos que nossas ações são o resultado de decisões conscientes. Portanto, o comportamento é determinado de maneira previsível por princípios válidos e o livre-arbítrio ou a liberdade é uma ilusão!

“De acordo com a visão tradicional, uma pessoa é livre... Ela pode, portanto, ser considerada responsável por seus atos e ser justamente punida quando quebra regras. Tal visão e as práticas a ela associadas devem ser reexaminadas quando uma análise científica revelar relações de controle inesperadas entre o comportamento e o meio” (Skinner).

E isso está correto? Não estão “desumanizando” demais? Como assim, as pessoas não serem donas de seus destinos? E onde ficariam as qualidades exclusivas do comportamento humano, como a liberdade e o potencial de crescimento pessoal? Assim como Freud (e sua ideia de que o comportamento é dominado por compulsões sexuais primitivas), Skinner foi alvo de duras críticas. Parte delas, decorrente de interpretações equivocadas e publicadas na imprensa popular. Por exemplo, suas análises do livre-arbítrio eram frequentemente interpretadas como um ataque ao conceito de uma sociedade livre – que não era. Apesar da polêmica e das desinformações, aqui estamos. Se somos ou não joguetes da nossa herança animal ou de circunstâncias ambientais, cabem ao nosso humanismo desmistificar, à nossa consciência dizer ou as terapias modernas desmascararem. O humano tem potencial e capacidade de crescimento, resta saber se o suficiente para lidar com as forças constantes dos estímulos-respostas.    

“Não tenho uma visão de Poliana da natureza humana... Contudo, uma das partes mais interessantes e estimulantes de minha experiência é trabalhar com [meus clientes] e descobrir as tendências direcionais fortemente positivas que existem neles, como em todos nós, nos níveis mais profundos” (Rogers).

Enfim, esses princípios descobertos por Watson, Pavlov e Skinner nas pesquisas com animais podiam ser aplicados também a comportamentos humanos complexos. Claro que uma visão tão desconcertante da natureza humana foi impactante, mas os caras cravaram o estabelecimento da psicologia como uma disciplina científica respeitada nas instituições de ensino. Hoje, são amplamente aplicados em fábricas, escolas, presídios, hospitais para doentes mentais e em uma variedade de outros ambientes. O próprio Watson se tornou um dos mais proeminentes profissionais da indústria da propaganda. Ele foi o pioneiro a apelar ao medo, aos testemunhos, à venda da “reputação” de produtos e à promoção de estilo sobre a substância, elementos que permanecem princípios básicos no marketing moderno.  

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